quarta-feira, 3 de maio de 2017

A arte do sentir

Estamos cada vez mais desesperados para sentir mais ou menos alguma coisa. Diminuir a dor, a carência, o sofrimento. Ampliar a alegria, esticar o amor, reviver felicidades.

Nessa busca, usamos mais e mais subterfúgios. Entorpecemo-nos com álcool, drogas, café, compras, viagens, sexo, TV. No fim, não sentimos mais nada.

Anestesiados da vida. Zumbis modernos sugando a última gota de energia de tudo e de todos. E esses todos são tão zumbis quanto nós. Deficientes no sentir.

Fingimos ser o que não somos para obter de outros o que fingem ter.

Ressequidos, sem afeto, sem propósito, zombamos daqueles que ousam apenas ser. Julgamos os vulneráveis. Afastamo-nos da verdade.

Nossa imensa vergonha da incompletude nos desvia, dia a dia, de nossa essência. Almejamos a perfeição desconsiderando nossa permissão divina de sermos imperfeitos.

Murchos, doentes, miseráveis, arrependemo-nos... tarde demais!

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