sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Acabou

  
2010 foi isso. Quem quiser mais pode desistir, acabou!
Não vou fazer balanço do ano, não sou contadora.
Nem listas, apesar de adorar fazer listas.

O ano foi muito bom. Ótimo. E pronto!
Ano de reparações e crescimento.

Que venha 2011.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Fim de Ano

    
Floral. Terapia. Roupa branca. Alimentação saudável. Mais horas de sono. Oração. Meditação. Pensamento positivo. Programação neurolinguística. Simpatia.

Eu estou tentando!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Conflito Interno Mode ON

Se não tivesse passado tantos anos em consultório terapêutico diagnosticaria bipolaridade. Comportamento maníaco-depressivo como chamam os antigos. A época é propícia, dizem os amigos. Depressão no final do ano é quase uma obrigação.

Terapia no Natal. Uma maneira peculiar de festejar a data. Reconhecendo antigos padrões de comportamento. Esforço para mudar. Mais esforço, mais dor, mais desconstrução. Mais.

Período propício à depressão.
Obrigatoriedade.

Início do sofrimento. Não sofrer. Controlar.
Conflito. Teoria do Caos.

Não sofrer, não crescer, estagnar.
Peter Pan.

      

Decurso de Prazo

Recém-admitida na escola
Pela primeira vez sozinha
Cidade nova, gente desconhecida

Conheceram-se naquela festa
Ela chorou. Sentia saudades de casa
Ele a consolou. Já estava lá há muito tempo
Aos poucos, acostumou-se àquela vida

Ela ouvia sobre namoradas, paqueras e
brigas intermináveis com o pai
Ele ouvia sobre incertezas, inseguranças e
brigas intermináveis com a mãe

Tornaram-se melhores amigos
Ela se apaixonou
Ele, indiferente, seguiu
Melhores amigos

Ela resolveu ir. Ele se declarou
Havia se apaixonado naquela noite
Pelas lágrimas, pela fragilidade
Por tudo aquilo que só ele enxergava

Ele tentou. Ela se assustou
Ela foi embora. Ele ficou
Não viveram a paixão
Foram melhores amigos

Para sempre...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Falta uma última limpeza para então polir e passar o verniz

    
1) desde que me entendo por gente e lembro dos meus pensamentos é assim. Fim de ano bate uma angústia, vou ficando triste, sem ânimo, sem paciência. Passa o Natal, Ano Novo e aniversário. Aí, parece uma purgação. Em meados de fevereiro tudo volta ao normal. Pollyanna feelings mode ON.

2) sinto-me inadequada nos lugares. com pessoas. em determinadas situações. não entendo o porquê. sinto-me observada. não é paranóia (acho). me acanho. tenho medo. mágoas passadas.

3) bloqueio os sinais para me proteger. não vejo não sinto, não sinto não lembro, não lembro não dói. (descoberta da semana na terapia).

4) sinto-me culpada pelas mazelas do mundo. se penso em mim, culpa. se não dou esmola, culpa. se digo não, culpa. se digo sim, culpa. tenho obrigação de agradar os outros. se não agradar, culpa.

Acho que é isso.
Agora falta pouco.
O trabalho pesado já foi feito.
 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Maria Eduarda

  
Fechou a porta gentilmente. Como todas as outras vezes. Pegou o carro e percorreu o caminho conhecido há quase duas décadas. Tão real, pateticamente, real. Frio na barriga. Daquela vez não voltaria atrás.

Já havia se desfeito de seus bens. Várias transações de pequeno valor para não levantar suspeitas. Agora poderia sonhar. Estava livre para recomeçar.

Parou e pensou: como se recomeça? Não se nasce de novo, isso eu sei. De onde se recomeça? Devo trocar meu nome também? Não, isso já é insanidade.

Maria Eduarda se dirigia ao aeroporto. No porta-malas do carro alugado, apenas uma valise de mão. Seria tudo novo.
  
 

Birra

Só porque eu não quero, não significa que você também pode não querer.
Não, não é assim.

É na hora que eu quero.
Sua vontade não me interessa.
Minto.
Interessa sim, quando coincide com a minha.

Quero que você tenha personalidade, desde de que ela seja submissa.
Você pode ser apático. Não me importo.
Se obedecer, fica.

É que eu não suporto rejeição.
Tenho, também, vocação para titeriteiro.
Quer ser minha marionete?

Carpinejar

     
A partir dos textos de Carpinejar tenho identificado diversos comportamentos. 
Leio, me reconheço e rio. 
Às vezes choro.

Choro baixinho, na intimidade. 
Onde ninguém entra. 
Não convido. 

A que ama demais, o que implora e aceita migalhas de atenção. 
O descuidado, a displicente, intolerâncias. 

Sigo na trajetória da borboleta. 
Aos olhos de fora, sem rumo. 
Notadamente sem rumo. 

Sigo experimentando.
    

O único relacionamento dos últimos tempos é com meu amigo gay

   
e só a mãe dele acredita nessa possibilidade. 


O sentimento de insatisfação cresce gradualmente e o motivo não é identificado. 
Não tenho suportado a minha companhia nesses tempos, então arrumo desculpas para sair de casa. Brigo com os gatos, faço compras, vou aos bares e boites sozinha.
E sozinha não tenho me divertido tanto. A companhia tem sido, realmente, desagradável. 

Já relatei de forma hermética. 

Agora discorrerei longamente. 
Vou externar à exaustão. 

Como coisa que escrevendo ou falando fosse levada à catarse. 

Como coisa que desaparecesse ou esmaecesse com a repetição. 

A cidade não é receptiva aos fanfarrões solitários. Os bares não tem balcões. 

No balcão tenho a companhia do atendente. 
Balcão é charme. Balcão dá a possibilidade de ser Julieta ou Rapunzel. 
Estimula a imaginação, ou coisa que valha. 

Nada vale nos últimos tempos. 

A boite, o show, a dança, o álcool. 
Tudo cinza. Sem sentido. 

Mas a mãe dele vale. A mãe dele acredita. 

E enfeita nossa mesa com flor enquanto almoçamos. 
E nos olha com ternura, sem saber da esbórnia da noite anterior. 
Inocente do que está porvir. 
por vir?
  

domingo, 19 de dezembro de 2010

Em branco

      
Dor de cabeça e cansaço. Algo está errado.
Não fico sozinha. Não me basto.
Rua ontem, hoje, amanhã, até cansar.
Ligações perdidas. Laços desfeitos.

Deve ser a época.
      

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Diálogos

    
D: Cada um tem um jeito diferente?
C: Não, todos tem o mesmo jeito.
R: O que difere é a forma de executar o jeito.
C: Eu curti isso.
- risos -
  

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Constatação

Se todo mundo se sente esquisito, então ser esquisito é normal.
Ou esquisito é ser normal?
 

Ressaca moral

      
O que, antigamente, eu buscava na garagem de casa, hoje busco na internet: Estragos da noite anterior

domingo, 12 de dezembro de 2010

Meus olhos são o espelho da alma

Então eu funciono de modo meio cartesiano, penso, se é que se pode ser apenas metade cartesiano. A outra metade seria o quê?

Não reconheço sarcasmo e acabo acreditando em tudo o que os outros falam. Para ser sincera, interações sociais não são o meu forte. Não sei como agir. Não leio sinais, só os de trânsito, afinal, me treinaram para isso.

Mentira é o pior. Odeio mentiras. Odeio muito, principalmente, porque não sei mentir.

Minha mãe me estragou para isso. Eu contava as maiores mentiras, ela olhava nos meu olhos e dizia: Agora fala a verdade. E eu começava a contar a verdade, desenfreadamente, morrendo de vergonha.

No meio de tanta gente esperta que existe por aí, sinto-me um peixe fora d'água. Transparecendo tudo o que pensa. Ingênua, às vezes.

Desde que me entendo por gente a frase que mais ouvi até hoje é: você é tão inteligente pra umas coisas, como não percebe blá blá blá?

Não percebo. Não vejo. Não sinto. Não quero. Não gosto.

Síndrome de Asperger, talvez.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pessoa

        
Eu que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Não respondi o e-mail.
Não atendi o telefone.
Não aceitei o convite.

Fiz de mim o que não soube. E o que podia fazer de mim não o fiz.

Voltei ao passado.
Despendi energia em situações inexistentes.
Esperei o aplauso que não veio.

Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

E quis ser triste.
E quis ser vazia.
E não consegui.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
        

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Espírito de Porco

  
O vizinho do prédio da frente ouve música tão alto que parece ter uma banda tocando dentro do meu quarto. Pior, ele canta junto, alto também.

O mocinho (sem noção) grita o nome da namorada no térreo, em frente ao interfone.

O síndico veda a calha da chuva que fica em cima do meu apartamento (que nunca teve infiltração) na época da chuva. Teto branco com petit pois preta. Completamente alinhado com as tendências da moda internacional.

A figura passa a noite inteira me explicando o quanto é maravilhosa e a caridade que fez ao aceitar sair comigo.

Um gato triste destruía algumas coisas. Dois gatos felizes destroem tudo.

E depois a minha mãe diz que eu é que sou o Espírito de Porco Natalino.
 

Irritação

  
Complicada e perfeitinha, ouvi.
Nada original, pensei.

Por quê? Por quê, meu Deus?
Por que nem eu consigo me entender?

Por que é tão chato, tão monótono?
Por que essa seqüência de ações repetitivas criando uma rotina insuportável?

Mentira.
É suportável.
Mas é enfadonha.

E eu que me canso de tudo isso torno-me, também, repetitiva.
Divagações.
Reclamações.

Inveja (de novo)

    
Por que eu não nasci Clarice Lispector?

Pensativa

          
Vi um filme em que todas as pessoas falavam a verdade. Então inventaram a mentira.
Não assisti inteiro, mas a idéia é interessante. Essa e a de reciclar gente que - confesso - também não é minha.

A figura vem e me chama de louca.
Fiquei toda ofendida logo de cara.
Hoje, revendo meus conceitos, penso que pode ser verdade.
Deveria ter dito: defina loucura.

Sou insatisfeita, garanto. Contraditória também. Incoerente, talvez ou às vezes, não sei.

Não é que eu não sinta.
Sinto. Muito. Intensamente.
Aí passa. Rapidamente.

#nowplaying: Fazer o quê, cidadão

Idéia

  
Eu queria reciclar gente.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tem dia..

Tem dia que tudo dói

A única vontade que existe 
é de entrar numa concha e morar lá
Fazer barulho do mar e dormir

Tem dia que tudo o que preciso é sonhar
Fantasias de reinos distantes
Sapos que se transformam em príncipes
Torres e cavalos brancos

Tem dia que a realidade incomoda
O trabalho exaspera
As horas se arrastam

Nesses dias, leio poesia
Porque poesia alimenta a alma
Arte alegra a vida

E homens cheios de si, de terno e gravata,
fazendo pose, tornam o dias mais cinzentos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Trabalho

      
Eu deveria trabalhar agora. 
Mais? Penso. É, mais! Respondo. 
Deveria ser, assim, mais produtiva. 
Ou criativa. Ou coisa que termine com iva. 


Mas me atrapalho. Trabalho e não crio. 
Crio e não trabalho. 
O trabalho atrapalha a criatividade. 

Gosto e preciso de ti. 
Li um dia. 
Não lembro quem escreveu. 


Divago.

As coisas estão ali e acolá. 
Eu estou aqui, olhando as coisas. 

Talvez eu trabalhe agora.